Portão de correr: tipos, medidas, estrutura e como escolher o motor certo
O portão de correr é o formato mais usado em entrada de garagem, indústria e área de carga porque não precisa de espaço livre para abrir, apenas de uma lateral para onde a folha possa deslizar. O que decide se ele vai durar dez anos ou emperrar no primeiro inverno é a estrutura da folha, o trilho e o alinhamento.
Direto ao ponto: portão de correr precisa de uma lateral livre igual ou maior que a largura do vão, mais a folga de sobreposição. Se essa lateral não existe, a saída é o portão basculante ou o pivotante. Portão que arrasta, faz barulho ou desalinha quase sempre tem trilho torto, sapata mal executada ou folha empenada por falta de contraventamento.
Neste guia: os tipos de portão de correr, o espaço necessário, a estrutura da folha, trilho e roldana, automatização e o checklist de instalação.

A folha desliza sobre um trilho fixado no piso, apoiada em rodas. É a solução mais barata e a mais tolerante a peso, porque a carga vai direto para o chão. A desvantagem é o trilho: ele acumula pedra e sujeira, atrapalha a passagem de pedestre e não funciona bem em terreno com desnível ou onde a água escorre.
A folha fica suspensa e apoiada em roldanas fixadas em pilares laterais, sem trilho no chão. O vão fica totalmente livre. Em troca, a folha precisa de um trecho em balanço, chamado de contrapeso, que se projeta para dentro da lateral e mantém o equilíbrio.
O trilho fica na parte de cima, preso a uma viga ou à estrutura da fachada. É comum em galpão e indústria, onde já existe estrutura metálica no lugar certo. Exige que a viga superior seja verificada, porque ela passa a receber o peso do portão em movimento.
Duas folhas correm em sentidos opostos a partir do centro. Cada folha tem metade do peso e metade do recuo lateral. É a saída quando o vão é grande mas as laterais são curtas dos dois lados.
| Tipo | Vão usual | Recuo lateral necessário | Custo relativo |
|---|---|---|---|
| Trilho no chão, folha única | 3 a 6 m | Vão + 15% | Baixo |
| Autoportante, folha única | 3 a 6 m | Vão + 50% a 60% | Alto |
| Suspenso superior | 4 a 8 m | Vão + 15% | Médio |
| Duas folhas, trilho no chão | 6 a 12 m | Metade do vão + folga, de cada lado | Médio |
Se nenhuma dessas configurações couber no terreno, vale comparar com as outras alternativas em qual o melhor tipo de portão e no guia do portão basculante.
O erro mais comum é medir só o vão. O portão de correr precisa de um espaço lateral onde a folha some quando aberta, e esse espaço é sempre maior que o vão.
| Vão livre | Recuo com trilho | Recuo autoportante | Peso estimado da folha |
|---|---|---|---|
| 3,00 m | 3,45 m | 4,80 m | 120 a 180 kg |
| 4,00 m | 4,60 m | 6,40 m | 170 a 250 kg |
| 5,00 m | 5,75 m | 8,00 m | 220 a 330 kg |
| 6,00 m | 6,90 m | 9,60 m | 280 a 420 kg |
O peso varia bastante com o fechamento escolhido. Chapa lisa pesa muito mais que ripado vazado, e isso muda o motor, a roldana e a fundação.
A folha do portão é um quadro que precisa continuar plano depois de anos abrindo e fechando. Isso exige perfil com rigidez à torção e contraventamento interno.
| Elemento | Perfil usual | Função |
|---|---|---|
| Quadro principal | Tubo 60×40 mm ou 80×40 mm, parede 1,5 a 2,0 mm | Rigidez global da folha |
| Montantes internos | Tubo 40×20 mm ou 30×30 mm | Divisão e apoio do fechamento |
| Diagonal de contraventamento | Tubo 30×20 mm ou barra chata | Impede o quadro de virar losango |
| Trilho estrutural (autoportante) | Perfil U específico do sistema | Recebe as roldanas e a carga inteira |
| Fechamento | Chapa, ripado, tela ou lambril | Define peso e privacidade |
A diagonal é o item que mais some no orçamento apertado e o que mais faz falta. Um quadro retangular sem diagonal é um mecanismo, não uma estrutura: ele se deforma em paralelogramo sob o próprio peso. A escolha do tubo e a diferença entre metalon e perfis está em perfis metálicos e metalon.
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Ver a Biblioteca →O motor deslizante é escolhido pelo peso da folha e pela frequência de uso. Subdimensionar o motor é a forma mais rápida de queimar o equipamento.
| Peso da folha | Motor indicado | Uso |
|---|---|---|
| Até 300 kg | 1/4 cv | Residencial, baixa frequência |
| 300 a 600 kg | 1/3 a 1/2 cv | Residencial pesado e comercial |
| 600 a 1.200 kg | 1/2 cv industrial ou trifásico | Condomínio e indústria leve |
| Acima de 1.200 kg | Industrial dedicado | Uso intenso, ciclo alto |
Informe as medidas e o eGalpão faz o resto: desenho do pórtico, terças, contraventamento e sapatas. A lista de materiais vem junto, com o peso de cada peça, pronta para orçar.
Conhecer o eGalpão →Com folha única e trilho no chão, o intervalo prático vai até 6 m. Autoportante fica bem até 6 m também, porque o balanço do contrapeso cresce muito acima disso. Para vãos de 6 a 12 m, a solução usual é o portão de duas folhas correndo em sentidos opostos.
Com trilho no chão, reserve a largura do vão mais cerca de 15%. No autoportante, a folha carrega o trecho de contrapeso, então o recuo necessário chega a 1,5 ou 1,6 vez a largura do vão.
Vale quando o piso tem desnível, quando o trilho atrapalharia a circulação ou quando há escoamento de água no vão. Em troca, custa mais, exige fundações específicas para os pilares de roldana e precisa de muito mais recuo lateral.
As causas mais comuns são trilho fora de nível ou desalinhado, sujeira e pedra no trilho, rodas com rolamento travado, folha empenada por falta de contraventamento e pilar de roldana inclinado por fundação insuficiente.
O quadro principal costuma ser tubo retangular de 60×40 mm ou 80×40 mm com parede de 1,5 a 2,0 mm, com montantes internos de 40×20 mm ou 30×30 mm. A diagonal de contraventamento é obrigatória e é o item que evita o empenamento da folha ao longo do tempo.