Máquina de Solda para Estrutura Metálica: qual comprar e como escolher (2026)
Escolher a máquina de solda errada trava a obra: você compra um equipamento que não tem corrente para fundir um perfil de 1/4″, ou gasta caro numa máquina TIG quando só precisava soldar terças e tesouras com eletrodo. Para quem monta estrutura metálica — galpões, mezaninos, tesouras, escadas — a decisão é sempre a mesma: qual processo, qual amperagem e qual consumível dão a solda mais resistente pelo menor custo de operação.
Este guia vai direto ao ponto: os três processos que realmente importam na serralheria estrutural, uma tabela comparativa, como calcular a corrente pela espessura da chapa e os erros que enfraquecem a junta soldada.

A máquina certa depende do tipo de serviço. Em estrutura metálica o que define a escolha é a espessura do aço e o local de trabalho (oficina fixa ou obra/campo). Perfis de galpão variam de chapas finas (terças formadas a frio, 1,5–3 mm) a perfis pesados (vigas e pilares soldados de 6 mm ou mais).
Se você ainda está na fase de projeto e quer ver como as ligações soldadas aparecem no detalhamento — chapas de ligação, soldas de filete, nós de tesoura — vale baixar um projeto pronto e estudar o desenho executivo antes de comprar máquina:
É o processo mais usado em obra de estrutura metálica no Brasil. A máquina é barata, robusta e funciona em campo mesmo com vento — o revestimento do eletrodo gera a própria proteção gasosa. Solda bem perfis médios e pesados. A desvantagem é a produtividade: você troca de eletrodo o tempo todo e precisa remover a escória a cada passe.
Arame alimentado continuamente com gás de proteção (CO₂ ou mistura Ar+CO₂). É o processo mais produtivo para oficina: solda rápida, contínua, com pouca escória. Domina a fabricação seriada de estruturas. Para campo exige proteção contra vento, que dispersa o gás. Existe a variação com arame tubular (FCAW), que dispensa gás externo e resolve bem o trabalho em obra.
Solda de altíssima qualidade e acabamento, com total controle do arco. Na estrutura metálica comum é pouco usado — é lento e caro para soldar tonelada de perfil. Faz sentido para inox, alumínio e detalhes aparentes (corrimãos, guarda-corpos, peças de acabamento).

| Critério | Eletrodo (MMA) | MIG/MAG | TIG |
|---|---|---|---|
| Custo da máquina | Baixo | Médio | Alto |
| Produtividade | Baixa | Alta | Baixa |
| Trabalho em obra/vento | Excelente | Ruim (use tubular) | Ruim |
| Chapa fina (<3 mm) | Difícil | Ótimo | Ótimo |
| Perfil pesado (>6 mm) | Ótimo | Ótimo | Lento |
| Facilidade de uso | Média | Alta | Baixa |
| Melhor uso na estrutura | Montagem em obra | Fabricação em oficina | Acabamento/inox |
Resumo: oficina que fabrica perfil em série → MIG/MAG. Equipe que monta galpão em obra → inversora de eletrodo (ou MIG com arame tubular). Acabamento fino e inox → TIG.
As máquinas antigas a transformador são pesadas e gastam mais energia, mas são praticamente indestrutíveis. As inversoras dominaram o mercado: leves, eficientes, com arco estável, controle de corrente preciso e recursos como arc force e hot start que facilitam a abertura do arco. Para quem está comprando hoje, a inversora é a escolha padrão — só confira se a tensão de entrada (monofásica 220 V ou trifásica 380 V) bate com a da sua oficina/obra.
Corrente de menos não funde e gera falta de penetração; corrente demais perfura a chapa fina e causa mordeduras. A regra prática de partida para eletrodo revestido é em torno de 30 a 40 A por milímetro de diâmetro do eletrodo. Use a tabela como ponto de partida e ajuste pelo aspecto do cordão:
| Espessura do aço | Processo indicado | Faixa de corrente (referência) |
|---|---|---|
| 1,5 – 2,0 mm | MIG/MAG | 60 – 110 A |
| 3,0 mm | Eletrodo 2,5 mm / MIG | 80 – 120 A |
| 4,75 mm (3/16″) | Eletrodo 3,25 mm / MIG | 110 – 160 A |
| 6,35 mm (1/4″) | Eletrodo 3,25–4,0 mm | 140 – 200 A |
| ≥ 9,5 mm (3/8″) | Eletrodo 4,0 mm (multipasse) | 180 – 250 A |
Por isso, ao comprar a máquina, olhe a corrente máxima e o ciclo de trabalho (quanto tempo ela solda sem superaquecer). Uma inversora de 200 A com bom ciclo de trabalho cobre a maioria das estruturas leves a médias.
Não adianta a máquina ser boa se a junta foi mal projetada. O dimensionamento da solda — comprimento e perna do filete, tipo de eletrodo, número de passes — depende do esforço que aquele nó transmite. É no projeto que se define isso, junto com o perfil. Se você quer dimensionar os perfis do galpão e visualizar as ligações antes de ir para a bancada, o eGalpão faz o cálculo automático:

Para montagem em obra, uma inversora de eletrodo revestido de 200 A com bom ciclo de trabalho resolve a maioria dos perfis. Para fabricação em oficina, o MIG/MAG é mais produtivo. TIG só para inox, alumínio e acabamento aparente.
O E6013 atende serviços gerais por ser fácil de operar. Para ligações estruturais críticas, use o E7018 (baixo hidrogênio, maior resistência), sempre seco/estufado. No MIG, o arame ER70S-6 é o padrão para aço carbono estrutural.
Para chapa de 6,35 mm (1/4″) com eletrodo de 3,25 a 4,0 mm, a faixa de referência fica entre 140 e 200 A. Ajuste pelo aspecto do cordão e pela ficha do eletrodo.
Sim, inversoras monofásicas de 200 A em 220 V soldam estruturas leves e médias. Para produção pesada e contínua, a trifásica oferece mais corrente e ciclo de trabalho.
Dá, mas é difícil — a tendência é furar. Para chapas finas (terças formadas a frio, abaixo de 3 mm) o MIG/MAG é muito mais indicado.
A máquina de solda certa para estrutura metálica é a que combina com o seu serviço: inversora de eletrodo para obra, MIG/MAG para oficina, TIG só para acabamento. Mas a resistência final vem do projeto: perfil correto, ligação bem dimensionada e solda executada conforme o detalhamento.