Técnicas de Execução

Como Soldar Estrutura Metálica: Processos, Eletrodos e Inspeção

Como Soldar Estrutura Metálica: Processos, Eletrodos e Inspeção

Soldar estrutura metálica não é só acender o arco e passar o eletrodo. O processo, a preparação da junta, o eletrodo certo para o aço certo e a sequência de execução definem se a solda vai segurar ou vai ceder na primeira sobrecarga. Aqui está o que você precisa saber para soldar estrutura metálica com resultado técnico e rastreável.

Soldador trabalhando em treliça metálica de galpão
Soldagem de treliça metálica para cobertura de galpão

Preparação antes de soldar

Solda boa começa antes de acender o arco. Os pontos críticos de preparação:

  • Limpeza da superfície: eliminar óleo, graxa, tinta, ferrugem e umidade na região da junta. Esmerilhamento ou jateamento até metal limpo. Solvente para óleo antes do esmeril — senão você só embebe a sujeira no metal.
  • Preparação da borda: chanfro quando a espessura exige penetração total (acima de 10 mm a 12 mm dependendo do processo). Para soldas de filete em ligações de estrutura, borda reta é suficiente.
  • Posicionamento e fixação: ponteamento antes da solda final para garantir alinhamento. Checar folgas — folga excessiva aumenta o consumo de eletrodo e compromete a resistência.
  • Temperatura de pré-aquecimento: para aços de maior carbono equivalente (ASTM A572 Gr.65, por exemplo) ou espessuras acima de 20 mm, o pré-aquecimento evita trinca a frio. Consultar a ficha do consumível ou a norma AWS D1.1.

Processos de soldagem para estrutura metálica

Processo de soldagem em estrutura metálica
Execução de solda em estrutura metálica — processo MIG/MAG

MIG/MAG (GMAW)

O processo mais usado em oficina de serralheria e metalurgia. Arame contínuo com proteção de gás (CO₂ puro ou mistura Ar+CO₂). Vantagens: alta produtividade, pouca escória, bom acabamento e fácil aprendizado para o soldador. Indicado para espessuras de 2 mm a 30 mm+. Limitação: sensível ao vento — em campo aberto, o gás de proteção é dispersado e a solda fica porosa.

Soldagem MIG em peça de estrutura metálica
Soldagem MIG/MAG — processo mais usado em estrutura metálica

Eletrodo revestido (SMAW)

O processo mais versátil para campo. Não precisa de gás, tolera superfícies menos perfeitas e funciona com máquina simples monofásica. Mais lento que o MIG, gera escória que precisa ser removida entre passes. Para estrutura metálica de responsabilidade, o eletrodo E7018 (revestimento básico) é o especificado — maior tenacidade e resistência a trinca a frio.

Soldagem com eletrodo revestido em estrutura metálica
Soldagem com eletrodo revestido — processo versátil para campo

TIG (GTAW)

Processo de alta qualidade com eletrodo de tungstênio não consumível e adição manual de varinha. Produz as soldas mais limpas e precisas, com controle total do cordão. Muito mais lento e mais caro que MIG e eletrodo. Usado em estruturas de alta exigência (petroquímica, aeronáutica, tubulações de pressão) e em passes de raiz de juntas críticas. Para estrutura metálica de galpão, raramente justifica o custo.

Escolhendo o eletrodo certo para aço estrutural

AçoEletrodo revestidoArame MIGObservação
A36 / SAE 1020E6013 ou E7018ER70S-6Aço mais comum em perfis laminados
A572 Gr.50E7018ER70S-6Alta resistência — E7018 obrigatório em junta de responsabilidade
Perfil dobrado (ZAR, ASTM A653)E6013ER70S-6Galvanizado — remover zinco antes de soldar
Inox 304/316E308L / E316LER308L / ER316LProcesso e consumível específicos

Execução da solda em estrutura metálica

  • Sequência de soldagem: em estruturas simétricas, soldar dos dois lados alternando passes para minimizar distorção. Em treliças, soldar os nós na sequência definida no procedimento para evitar tensões residuais excessivas.
  • Parâmetros: corrente, tensão e velocidade de avanço conforme a tabela do consumível e a espessura do metal base. Parâmetro errado gera falta de fusão (corrente baixa) ou queima excessiva (corrente alta).
  • Posição: sempre que possível, soldar na posição plana (1G/1F) — a mais produtiva e de menor risco de defeito. Solda em posição vertical (3G/3F) e sobre a cabeça (4G/4F) exige soldador qualificado nessas posições.
  • Temperatura entre passes: não exceder 250°C entre passes para evitar degradação da zona termicamente afetada em aços de alta resistência.

Inspeção e qualidade da solda

Toda solda de estrutura de responsabilidade precisa de inspeção:

  • Inspeção visual (VT): verificar tamanho do cordão, continuidade, ausência de porosidade superficial, trincas e crater aberto no final do cordão. É o mínimo exigível em qualquer obra.
  • Líquido penetrante (PT): detecta trincas e descontinuidades abertas na superfície. Rápido e barato — indicado para soldas de filete em ligações críticas.
  • Ultrassom (UT): detecta defeitos internos em soldas de topo. Obrigatório em soldas de penetração total em estruturas de responsabilidade (norma AWS D1.1 ou ABNT NBR 14153).

O inspetor de solda deve ter qualificação SNQC (Sistema Nacional de Qualificação e Certificação) pelo IBS ou equivalente reconhecido. Obra com ART e solda sem inspeção documentada é responsabilidade do engenheiro.

Perguntas frequentes sobre soldagem de estrutura metálica

Qual o melhor processo de soldagem para estrutura metálica?

MIG/MAG para produção em oficina — mais rápido e melhor acabamento. Eletrodo revestido para campo — mais versátil, sem necessidade de gás. A escolha depende do ambiente de trabalho e do equipamento disponível.

Qual eletrodo usar para soldar perfil de aço estrutural?

E7018 para soldas de responsabilidade em A36 e A572 — revestimento básico, maior tenacidade. E6013 para soldas de menor exigência em posição plana. No MIG: arame ER70S-6 com CO₂ ou mistura Ar+CO₂.

Precisa de certificação para soldar estrutura metálica?

Para estruturas com ART, sim — o soldador deve ter qualificação conforme ABNT NBR ISO 9606-1 ou AWS D1.1, por processo, posição e tipo de junta.

Como inspecionar solda de estrutura metálica?

Inspeção visual (tamanho do cordão, continuidade, ausência de trincas) é o mínimo. Para juntas críticas: líquido penetrante para defeitos superficiais, ultrassom para defeitos internos em soldas de topo.


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