Técnicas de Execução

Junta de dilatação no piso industrial: tipos, espaçamento, corte e selante

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Junta de dilatação no piso industrial: tipos, espaçamento, corte e selante

O piso ficou bonito na entrega, e três meses depois tem uma fissura atravessando o pano na diagonal, a dois palmos da junta serrada. Mais adiante, a borda da junta esfarelou na rota da empilhadeira. Quase toda patologia de piso de galpão começa na junta: no lugar errado, cortada na hora errada ou selada com o produto errado.

Direto ao ponto: no canteiro, todo corte no piso vira “junta de dilatação”. Na prática, a maior parte das juntas de um piso industrial são de controle de retração, cortadas com serra para decidir onde o concreto vai fissurar. A junta de dilatação propriamente dita, que absorve variação térmica, aparece em pontos específicos. Cada tipo tem sua função, sua forma de executar e seu selante.

Neste guia: os quatro tipos de junta, o espaçamento em função da espessura, a janela certa para serrar, a profundidade do corte, as barras de transferência, a junta armada para empilhadeira, os selantes e quando aplicar, e as patologias mais comuns com a causa de cada uma.

Planta de piso industrial com juntas serradas, de construção e isolamento em diamante nos pilares, e cortes de cada junta
Cada junta tem sua função: controlar a retração, separar concretagens e soltar o piso dos pilares.

Os quatro tipos de junta no piso industrial

O piso industrial tem uma visão geral de espessura, armadura e acabamento. Aqui o assunto é só a junta, do projeto até a manutenção.

TipoFunçãoComo é feitaOnde aparece
Serrada (de controle)Induzir a fissura de retração a um ponto definidoCorte com serra diamantada no concreto recém-endurecidoDentro de cada faixa de concretagem, em malha
De construçãoSeparar concretagens de dias diferentesFôrma de borda com barras ou placas de transferênciaEntre faixas e no fim da jornada
De isolamento (de encontro)Desligar o piso de pilar, parede e base de máquinaMaterial compressível em toda a espessuraEm volta de pilares, junto a paredes e poços
De dilataçãoAbsorver variação térmica em trechos longosAbertura com material compressível e selante flexívelÁreas externas, pisos muito extensos, encontro com outra estrutura

Junta serrada ou de controle

O concreto encolhe ao secar. Um pano grande sem corte fissura onde quiser. A serra enfraquece a seção num alinhamento escolhido, e a fissura nasce embaixo do corte, reta e escondida. É a junta mais numerosa do piso.

Junta de construção

Surge onde uma concretagem termina e a outra começa. As faixas costumam ser concretadas alternadas ou em sequência, com fôrma metálica de borda. Como a face vertical é lisa, a junta precisa de barra ou placa de transferência para os dois lados não desnivelarem sob roda.

Junta de isolamento

Separa o piso de tudo que tem fundação própria. O pilar do galpão está apoiado na sapata e se move diferente do piso. Sem isolamento, o piso trava no pilar e fissura em cruz a partir do canto. Em volta do pilar, o isolamento é feito em diamante (quadrado girado 45°) ou em círculo, para os cantos coincidirem com as juntas serradas.

Junta de dilatação

Aparece em piso externo exposto ao sol, em pisos muito longos, em câmara fria e no encontro de dois blocos de construção. A abertura é maior e o selante precisa ser flexível para acompanhar o movimento.

Espaçamento entre juntas

A regra prática mais usada liga o lado do pano à espessura do piso. A faixa de referência vai de 24 a 36 vezes a espessura, e muitos projetistas trabalham entre 30 e 35 vezes em piso com tela. Concreto com retração alta, clima seco e sub-base áspera pedem o lado curto da faixa.

Espessura do pisoLado do pano (referência)Comentário
12 cm2,9 a 4,3 mUso leve, sem empilhadeira pesada
15 cm3,6 a 5,4 mGalpão comercial e logístico leve
18 cm4,3 a 6,5 mEmpilhadeira de uso diário
20 cm4,8 a 7,2 mUso pesado, conferir limite prático do projeto
  • Pano próximo do quadrado: a relação entre o lado maior e o menor fica, como referência, em até 1,5. Pano comprido e estreito fissura no meio.
  • Juntas alinhadas com os pilares: a malha nasce das linhas de pilares do galpão, com as juntas passando pelos cantos do isolamento em diamante.
  • Sem canto reentrante: todo canto em L dentro do pano (poço, rampa, base de máquina) é origem de fissura. Prolongue a junta a partir do canto.
  • Juntas contínuas: junta que termina no meio do pano induz a fissura a continuar sozinha até a borda.
  • Fibra e protensão: piso com fibras de aço permite panos maiores, e piso protendido trabalha com panos muito maiores. O espaçamento sai do projeto específico.

Para a malha de juntas, a planta de pilares é o ponto de partida. Em galpão logístico, com corredores de porta-pallet, vale também alinhar as juntas fora da trilha da empilhadeira sempre que der.

Quando serrar e qual profundidade

A janela de corte é o ponto mais crítico da junta serrada. Cedo demais, a serra arranca agregado e esborcina a borda. Tarde demais, o concreto já fissurou sozinho, fora do alinhamento.

  1. Acompanhe o concreto desde o acabamento. A janela depende de temperatura, vento, cimento e aditivo. Em dia quente ela abre cedo e fecha rápido.
  2. Faça o corte de teste. Passe a serra num trecho curto. Se arrancar agregado, espere. Se sair limpo, comece.
  3. Corte na ordem da concretagem. O primeiro pano lançado é o primeiro a ficar pronto para a serra.
  4. Referência de tempo: com serra convencional, a janela costuma cair entre 6 e 18 horas após o lançamento. Com serra de corte precoce, poucas horas após o acabamento.
  5. Não deixe para o dia seguinte em clima quente. É a causa mais comum de fissura fora da junta.

A profundidade de referência é de 1/4 a 1/3 da espessura do piso com serra convencional, com largura de 3 a 5 mm no primeiro corte. Com serra de corte precoce, o corte é mais raso porque é feito antes da tensão de retração crescer. O fck do concreto e o traço do concreto usinado também influem: concreto com mais cimento retrai mais e antecipa a fissura.

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Projetos prontos em CAD

A malha de juntas nasce da planta de pilares do galpão. Partir de projetos prontos em CAD adianta essa base: são mais de 1.500 arquivos em AutoCAD, entre galpões, mezaninos, escadas, ligações e detalhes, editáveis e com lista de materiais.

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Barras de transferência

A barra de transferência é uma barra lisa de aço que atravessa a junta, metade presa num pano e metade livre para deslizar no outro. Ela transmite a carga da roda de um pano para o outro sem travar a retração.

  • Onde usar: sempre na junta de construção. Nas juntas serradas, em piso com tráfego pesado, conforme o projeto.
  • Alinhamento: paralelas entre si e à superfície, perpendiculares à junta. Barra torta trava o movimento e fissura o pano.
  • Metade deslizante: engraxada ou com bainha, para o pano poder encolher.
  • Placas de transferência: placas planas em forma de losango permitem movimento também no sentido da junta e são comuns em pisos de alto desempenho.
  • Dimensão e espaçamento: saem do projeto, em função da espessura e da carga. Sem isso, a junta desnivela e a roda passa a bater em degrau.

Junta armada para empilhadeira

Roda rígida de empilhadeira e de paleteira castiga a borda da junta. Em rota de tráfego intenso, a solução é a junta armada: a borda do concreto é protegida por perfis metálicos ou por lábio polimérico.

SoluçãoComo funcionaIndicação
Selante semirrígido na junta serradaPreenche e apoia a bordaTráfego moderado com roda de poliuretano
Lábio poliméricoBorda reconstituída em argamassa poliméricaRecuperação de borda e tráfego médio
Junta armada metálicaPerfis de aço nas duas bordas, com placas de transferênciaJunta de construção em rota de empilhadeira pesada
Junta em onda ou senoidalPerfis recortados que a roda cruza sem impactoPisos de alto desempenho e empilhadeira rápida

Em centro de distribuição e em galpão industrial com empilhadeira pesada, a junta de construção armada costuma se pagar em poucos anos de manutenção evitada.

Selantes: qual usar e quando aplicar

SelanteComportamentoOnde usarCuidados
Epóxi semirrígidoDuro, apoia a borda contra a rodaJunta serrada e de construção em área internaAplicar em toda a profundidade do corte
Poliureia semirrígidaParecido com epóxi, cura rápidaOnde o piso precisa voltar a operar logoCusto maior
Poliuretano (PU) flexívelElástico, acompanha movimentoJunta de isolamento, dilatação e área externaUsar limitador de profundidade, não apoia borda
Silicone ou mastique comumMole, sem apoioNão indicado para tráfegoEsborcinamento rápido
  1. Espere a retração principal. Como referência, selar entre 60 e 90 dias após a concretagem, ou o mais tarde que a operação permitir.
  2. Se precisar operar antes, faça um preenchimento provisório e refaça depois que a junta abrir.
  3. Limpe a junta com escova e ar comprimido. Pó e umidade descolam o selante.
  4. Aplique primer quando o fabricante pedir, e respeite o limitador de profundidade no PU.
  5. Deixe o selante rente ao piso, sem sobra que a roda arranque.

Patologias e causas

PatologiaCausa provávelComo evitar
Esborcinamento da bordaCorte cedo demais, junta sem selante, selante mole em rota de roda rígidaCorte no tempo certo, epóxi semirrígido, junta armada
Fissura fora da juntaCorte tarde, pano grande demais, junta rasaJanela de corte, espaçamento de referência, profundidade correta
Fissura no canto do pilarFalta de junta de isolamentoIsolamento em diamante alinhado com a malha
Empenamento de bordaSecagem desigual entre topo e fundo do pisoCura úmida, controle de água do traço
Degrau entre panosJunta de construção sem transferênciaBarras ou placas alinhadas
Selante descoladoSelagem cedo, junta suja ou úmidaEsperar a retração, limpar, primer

Piso que também é fundação segue outra lógica de junta e espessura, e os critérios estão em radier.

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Perguntas frequentes

Qual a distância entre juntas de dilatação no piso industrial?

Para a junta serrada, que é a mais comum, a referência é um lado de pano entre 24 e 36 vezes a espessura do piso. Um piso de 15 cm fica, como referência, com panos de 3,6 a 5,4 m. Fibras de aço e protensão permitem panos maiores, e o valor final sai do projeto.

Quanto tempo depois da concretagem deve ser feito o corte?

Com serra convencional, a janela costuma cair entre 6 e 18 horas após o lançamento, e em dia quente ela chega mais cedo. O melhor indicador é o corte de teste: se a serra arranca agregado, espere; se o corte sai limpo, comece pelo primeiro pano concretado.

Qual a profundidade da junta serrada?

A referência é de 1/4 a 1/3 da espessura do piso com serra convencional. Com serra de corte precoce, o corte é mais raso porque acontece antes da tensão de retração crescer. Corte raso demais deixa a fissura aparecer fora da junta.

Qual o melhor selante para junta de piso industrial?

Em área interna com empilhadeira, epóxi ou poliureia semirrígidos, que apoiam a borda contra a roda. Em junta de isolamento, de dilatação e área externa, poliuretano flexível, que acompanha o movimento. Silicone e mastique comum não servem para tráfego.

Quando selar a junta do piso industrial?

O mais tarde possível, depois da retração principal, com referência de 60 a 90 dias após a concretagem. Se a operação começar antes, use um preenchimento provisório e refaça a selagem depois, porque a junta continua abrindo nos primeiros meses.