Tipos de Treliça Metálica: Pratt, Howe, Warren e Mais
Toda treliça é o mesmo triângulo de barras — mas o jeito que você inclina as diagonais muda quem traciona, quem comprime e, no fim, quanto aço vai pra estrutura. Escolher o tipo errado não derruba o galpão, mas engorda o peso, complica o corte e some com a sua margem na cotação.
Os tipos que você mais vê no dia a dia são quatro: Pratt (diagonais tracionadas), Howe (diagonais comprimidas), Warren (triângulos alternados, boa pra vão grande) e a trapezoidal (banzo superior acompanhando o caimento do telhado). A diferença prática entre Pratt e Howe está só no sentido das diagonais — e isso decide qual barra puxa e qual empurra.
Abaixo você vê os quatro lado a lado, entende a anatomia da peça e, no fim, como cruzar tipo, vão e uso pra não errar na hora de fechar o projeto.
Antes de comparar tipos, fixa o vocabulário. Toda treliça — Pratt, Howe ou Warren — é montada com as mesmas partes. Muda só o arranjo das barras internas.
A lógica é sempre a mesma: os banzos absorvem os grandes esforços de tração e compressão (como as mesas de uma viga I), e as barras internas — diagonais e montantes — transferem o cortante entre eles. Trocar de tipo é trocar quem faz cada trabalho.

Na Pratt, as diagonais descem em direção ao centro do vão — dos apoios pro meio. Sob carga de gravidade (o peso do telhado empurrando pra baixo), esse desenho faz as diagonais trabalharem tracionadas e os montantes verticais comprimidos.
Por que isso importa? As diagonais são as barras mais compridas da treliça. Barra comprida tracionada não flamba — então você aproveita melhor a seção do aço. As barras que comprimem (os montantes) são curtas, e barra curta resiste melhor à flambagem. É por isso que a Pratt é a queridinha das estruturas metálicas: joga a tração nas barras longas e a compressão nas curtas, que é exatamente o que o aço pede.
Onde ela aparece: coberturas planas ou de baixa inclinação, passarelas, e boa parte das treliças de piso. Sempre que a carga principal é gravitacional e constante, a Pratt entrega o menor peso de aço.
A Howe é o espelho da Pratt. As diagonais sobem em direção ao centro — inclinação invertida. Resultado: sob carga de gravidade, as diagonais trabalham comprimidas e os montantes tracionados.
Isso é o oposto do que o aço prefere: você joga a compressão nas barras longas (que flambam mais fácil) e a tração nas curtas. Em aço, isso costuma pedir diagonais mais robustas — mais peso. Por isso a Howe nasceu na madeira, onde a peça comprimida em contato direto no nó trabalha bem e a tração fica pros tirantes metálicos.
Mas ela não está aposentada. Quando a estrutura sofre carga de vento de sucção — que inverte os esforços e levanta o telhado — o que era compressão vira tração e vice-versa. Em regiões de vento forte, ou em telhados leves onde a sucção manda, a Howe pode fazer mais sentido. É o tipo de detalhe que só o cálculo fecha.
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Ver a Biblioteca →A Warren troca a lógica. Em vez de diagonais todas no mesmo sentido mais montantes, ela usa diagonais em zigue-zague, formando triângulos isósceles (ou equiláteros) alternados. Uma diagonal traciona, a próxima comprime, a próxima traciona — e assim por diante.
Existem duas versões:
A grande vantagem da Warren é o número reduzido de barras pra um mesmo vão — o que a torna econômica em vãos maiores e em cargas bem distribuídas. É comum em coberturas de galpão de grande vão, pontes e passarelas. O ponto de atenção é que, como cada diagonal alterna entre tração e compressão conforme a posição da carga, o dimensionamento precisa cobrir os dois cenários.
A trapezoidal não muda o arranjo interno (por dentro ela pode ser Pratt, Howe ou Warren) — o que muda é o formato geral. O banzo superior é inclinado, acompanhando o caimento do telhado, e o banzo inferior é horizontal. O contorno vira um trapézio: mais alta no centro, mais baixa nos apoios.
É de longe a mais usada em cobertura de galpão, e o motivo é prático:
Se você trabalha com galpão, é o tipo que vai desenhar na maioria das obras. Vale aprofundar em como ela se comporta na prática no guia de treliça metálica para galpão, e ver o passo a passo de detalhamento no projeto de treliça metálica.
Tudo que vimos até aqui — Pratt, Howe, Warren, trapezoidal — é treliça plana: todas as barras num único plano vertical, resistindo a cargas contidas nesse plano. É a tesoura clássica do galpão, repetida a cada pórtico e contraventada entre si.
A treliça espacial é outra categoria. Ela trabalha em três dimensões, montada com módulos piramidais (tetraedros) que formam um grande painel. A carga não corre só num plano — ela se distribui em várias direções ao mesmo tempo.
| Critério | Treliça plana | Treliça espacial |
|---|---|---|
| Direção do trabalho | Um plano (2D) | Três dimensões (3D) |
| Uso típico | Galpão, tesoura, passarela | Grandes coberturas livres, terminais, ginásios |
| Vão | Pequeno a grande | Muito grande, sem pilar intermediário |
| Nós | Solda ou chapa de nó | Nós especiais (esferas / conectores) |
| Montagem | Mais simples, corriqueira | Mais complexa, exige precisão |
Na prática: pra galpão convencional, treliça plana resolve e sai mais barata. Espacial entra quando você precisa cobrir uma área enorme sem pilar no meio — e aí o custo e a complexidade de montagem sobem junto.
Não existe tabela mágica de “vão X → tipo Y”. A escolha final sai do cálculo, porque depende da carga real (telha, forro, vento da sua região), do apoio e do que você prioriza — peso, facilidade de montagem ou custo. Mas dá pra usar uma lógica de partida:
Repare que em nenhum ponto eu disse “use perfil tal”. Isso é de propósito: o perfil e a espessura das barras saem do dimensionamento, considerando os esforços de cada barra, a flambagem das comprimidas e as ligações nos nós. Chutar bitola por vão é o caminho mais rápido pra superdimensionar (aço jogado fora) ou subdimensionar (risco).
Informe as medidas e o eGalpão faz o resto: desenho do pórtico, terças, contraventamento e sapatas. A lista de materiais vem junto, com o peso de cada peça, pronta para orçar.
Conhecer o eGalpão →Não existe um “melhor” universal — existe o mais adequado pra cada caso. Pra cobertura de galpão comum, a trapezoidal costuma ganhar por acompanhar o caimento e distribuir bem o aço. Sob carga de gravidade dominante, o arranjo Pratt é o mais econômico em aço. A escolha final sai do cálculo, considerando vão, carga e vento da sua região.
Está no sentido das diagonais. Na Pratt, as diagonais descem em direção ao centro e trabalham tracionadas (montantes comprimidos). Na Howe, as diagonais sobem em direção ao centro e trabalham comprimidas (montantes tracionados). Como barra longa tracionada não flamba, a Pratt aproveita melhor o aço sob carga de gravidade; a Howe se favorece quando o vento de sucção inverte os esforços.
É a treliça com diagonais em zigue-zague, formando triângulos alternados, onde uma diagonal traciona e a seguinte comprime. Pode ser pura (só diagonais) ou com montantes verticais. Usa menos barras e menos nós pra um mesmo vão, o que a torna econômica em vãos maiores e cargas bem distribuídas.
Na maioria dos galpões, a treliça trapezoidal: o banzo superior inclinado já entrega o caimento pro escoamento da água e coloca mais altura no centro, onde o esforço é maior. Por dentro, ela pode ser montada com arranjo Pratt ou Warren conforme o vão e a carga. Vãos muito grandes sem pilar intermediário podem pedir treliça espacial.