Estruturas Metálicas

Lanternim: O Que É, Tipos e Como Dimensionar

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Lanternim: O Que É, Tipos e Como Dimensionar

Lanternim é aquela sobre-elevação na cumeeira do galpão, com abertura lateral protegida por uma tampa. Ele resolve dois problemas de uma vez, tirando o ar quente acumulado sob a cobertura e deixando entrar luz natural, e ainda não tem nenhuma peça móvel para manter. O preço disso é que ele precisa entrar no projeto desde o começo: colocar lanternim em galpão pronto custa caro.

Resumindo: lanternim é uma abertura contínua ao longo da cumeeira, elevada acima da cobertura e protegida por uma tampa própria, que permite a saída permanente do ar quente. Funciona por efeito chaminé, sem energia e sem manutenção. O que define o desempenho é a área livre de abertura, e ela precisa ser calculada, não copiada.

Aqui estão os tipos, o dimensionamento da área de abertura, os detalhes construtivos que impedem a entrada de chuva, a comparação com o exaustor eólico e as faixas de custo em 2026.

O que é lanternim e como funciona

O lanternim é uma estrutura elevada sobre a linha da cumeeira. A cobertura principal termina antes do topo, sobe uma pequena estrutura vertical (onde fica a abertura) e uma segunda cobertura, menor, fecha por cima. O resultado é uma fresta contínua, protegida, ao longo de todo o comprimento do galpão.

O princípio é o efeito chaminé: o ar aquecido dentro do galpão é menos denso, sobe e escapa pela abertura mais alta. Isso cria depressão na parte baixa, que puxa ar externo pelas aberturas inferiores. O fluxo se mantém enquanto houver diferença de temperatura, ou seja, exatamente enquanto for necessário.

Duas vantagens estruturais em relação a soluções pontuais: a ventilação é contínua ao longo de todo o galpão, sem zonas mortas, e não há peça móvel, nada de rolamento travando ou turbina parada anos depois.

Tipos de lanternim

TipoComo éCaracterística
Lanternim contínuoFaixa aberta ao longo de toda a cumeeira, com tampa própriaMelhor distribuição de ventilação; solução mais comum em galpão industrial
Lanternim com pingadeiraContínuo, com chapa defletora inclinada nas lateraisBarra a chuva com vento; padrão em região de chuva forte
Lanternim tipo shedAberturas verticais voltadas para um lado só, em sérieAproveita a iluminação natural sem sol direto; típico de indústria têxtil e fabril
Aerador contínuoPerfil industrial pré-fabricado, instalado sobre a cumeeiraMontagem rápida, área de abertura conhecida e certificada
Lanternim com translúcidaCombina abertura de ar com telha translúcidaVentilação e iluminação zenital na mesma peça

Nos galpões de médio porte, o lanternim contínuo com pingadeira resolve a maior parte dos casos. O shed aparece quando a iluminação natural é tão importante quanto a ventilação, ele deixa entrar luz difusa sem o ganho térmico do sol direto.

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Como dimensionar a área de abertura

O dimensionamento parte da área livre de abertura, a área efetiva por onde o ar passa, já descontadas telas, defletores e perfis. Não é a área bruta do vão.

Uso do galpãoÁrea livre de saída (% da cobertura)Observação
Depósito e armazenagem1% a 2%Carga térmica baixa, sem processo
Montagem e indústria leve2% a 3%Pessoas e equipamentos gerando calor
Processo com calor (solda, forno, pintura)3% a 5%Pode exigir ventilação mecânica de apoio
Galpão agrícola e criação animal3% a 6%Umidade e amônia exigem renovação alta

Duas regras que valem mais que a porcentagem:

  • A entrada de ar precisa ser igual ou maior que a saída. De nada adianta um lanternim generoso com o galpão fechado embaixo: o fluxo não se estabelece. As aberturas inferiores devem somar pelo menos a mesma área livre.
  • Altura ajuda mais do que largura. A força do efeito chaminé cresce com a distância vertical entre a entrada baixa e a saída alta. Em galpão de pé-direito alto, o lanternim rende muito mais.

Exemplo prático: um galpão de 20 x 40 m tem 800 m² de cobertura. Para uso de montagem, com 2,5% de área livre, são necessários 20 m² de abertura efetiva. Distribuídos ao longo dos 40 m de cumeeira, isso significa uma faixa livre de 0,50 m em cada lado do lanternim, que, na prática, exige uma abertura bruta maior, para compensar telas e defletores.

Efeito chaminé no galpão com lanternim: entrada de ar baixa e saída pela cumeeira
Efeito chaminé no galpão com lanternim: entrada de ar baixa e saída pela cumeeira

Detalhes que evitam entrada de chuva

A objeção número um ao lanternim é a chuva. Bem detalhado, ele não molha: o problema quase sempre está na execução.

  • Pingadeira e defletor: chapa inclinada que barra a chuva conduzida pelo vento, sem fechar a passagem de ar. É o item que separa lanternim bom de dor de cabeça.
  • Transpasse da tampa: a cobertura superior precisa avançar bem além da abertura, criando abrigo para a fresta.
  • Rufos e calhas de arremate: a água que escorre da tampa não pode cair dentro da abertura. O sistema de captação segue os mesmos princípios de calha de galpão metálico.
  • Telas: tela contra pássaros é quase obrigatória, porque galpão sem tela vira pombal. Mas a tela reduz a área livre em 20% a 50%, e isso precisa entrar no dimensionamento.
  • Vedação da estrutura: a transição entre a cobertura principal e a estrutura do lanternim tem muitos encontros. Cada um é ponto potencial de infiltração, e todos exigem parafuso com arruela de vedação e selante.

Lanternim ou exaustor eólico?

CritérioLanternimExaustor eólico
Quando decidirNo projeto da estruturaA qualquer momento, inclusive depois de pronto
Peças móveisNenhumaRolamento da turbina
ManutençãoPraticamente nulaInspeção periódica; rolamento eventual
DistribuiçãoContínua ao longo da cumeeiraPontual; depende da distribuição das unidades
Iluminação naturalPode incorporar telha translúcidaNão contribui
CustoEntra no custo da estruturaBaixo por unidade, mas soma com a quantidade
RiscoInfiltração se mal detalhadoTurbina parada por falta de manutenção

A escolha costuma ser cronológica: em projeto novo, o lanternim é a solução mais duradoura e elimina manutenção para sempre. Em galpão existente, o exaustor eólico é incomparavelmente mais barato de instalar. As duas soluções também se combinam: lanternim contínuo com exaustores reforçando as áreas de maior carga térmica.

Impacto na estrutura

O lanternim não é só cobertura: ele muda a geometria do pórtico. A cumeeira deixa de ser um ponto e vira uma estrutura elevada, o que traz três consequências de projeto:

  • Carga de vento diferente: a sobre-elevação cria uma superfície exposta a mais e altera a distribuição de pressão e sucção sobre a cobertura.
  • Peso adicional: estrutura, telhas e arremates do lanternim entram na carga permanente das terças e do pórtico.
  • Descontinuidade na cobertura: a interrupção da telha exige tratamento estrutural na região, mantendo o travamento e o contraventamento funcionando.

Por isso o lanternim precisa ser lançado desde o início do projeto. Adaptar galpão pronto significa cortar cobertura, refazer travamentos e revisar o cálculo, quase sempre mais caro que a instalação de dezenas de exaustores.

Custo do lanternim em 2026

ItemFaixa de custoObservação
Lanternim contínuo executadoR$ 450 a 900 por metro linearEstrutura, telhas, rufos e montagem
Aerador industrial pré-fabricadoR$ 700 a 1.600 por metro linearPerfil pronto, com área livre certificada
Acréscimo no custo do galpão3% a 6% do custo da coberturaEstimativa para lanternim contínuo
Tela de proteçãoR$ 30 a 90 por metroReduz a área livre; considerar no dimensionamento

Valores de referência para orçamento, variando com a largura da abertura, o tipo de telha e a região. O custo total de galpão está detalhado em preço de galpão metálico por m².

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Perguntas frequentes

Para que serve o lanternim?

Para retirar o ar quente acumulado sob a cobertura por ventilação natural, e frequentemente também para trazer iluminação natural. Ele funciona por efeito chaminé, sem energia e sem peças móveis, mantendo a renovação de ar contínua ao longo de toda a cumeeira.

Qual a área de abertura do lanternim?

Depende da atividade: de 1% a 2% da área de cobertura em depósito, de 2% a 3% em montagem e indústria leve, e de 3% a 5% onde há processo gerando calor. O valor se refere à área livre efetiva, já descontadas telas e defletores, e a entrada de ar nas laterais baixas precisa ser no mínimo equivalente.

Lanternim deixa entrar chuva?

Bem detalhado, não. Pingadeira, defletor lateral, transpasse adequado da tampa superior e rufos de arremate barram a água inclusive com vento. Infiltração em lanternim é quase sempre falha de execução nos encontros, não uma limitação da solução.

Lanternim ou exaustor eólico, qual escolher?

Em projeto novo, o lanternim tende a compensar: ventilação contínua, sem peça móvel e sem manutenção. Em galpão já construído, o exaustor eólico é muito mais barato de instalar, já que o lanternim exigiria cortar a cobertura e revisar a estrutura.

Lanternim aumenta o custo do galpão?

Sim, na faixa de 3% a 6% do custo da cobertura, considerando estrutura, telhas e arremates. Em contrapartida elimina o custo de energia com ventilação, dispensa manutenção e pode reduzir a necessidade de iluminação artificial durante o dia.