Marquise: tipos, dimensionamento e como executar sem risco de queda
A marquise é a cobertura em balanço que avança sobre a calçada, a entrada ou a área de carga sem nenhum pilar embaixo. É justamente essa ausência de apoio na ponta que define todo o comportamento estrutural dela: o esforço inteiro se concentra no engaste, e qualquer falha nesse ponto derruba a peça inteira de uma vez, sem aviso.
Direto ao ponto: marquise trabalha em balanço, o momento máximo fica no apoio e a armadura (ou o parafuso) que resiste a esse momento fica na face de cima da peça, que é exatamente onde a água empoça e a corrosão ataca. Marquise que cai quase sempre cai por drenagem malfeita, sobrecarga no topo ou reforma que cortou o engaste.
Neste guia você vai ver os tipos de marquise, o balanço máximo viável em cada material, como funciona o contrapeso e o tirante, o detalhamento da drenagem e o checklist de execução e de inspeção.

Marquise é toda cobertura fixada apenas de um lado, projetando-se em balanço. O telheiro, o alpendre e a varanda têm pilares na extremidade livre, então funcionam como viga biapoiada e trabalham com esforços muito menores. A marquise concentra tudo no engaste.
Na prática, dobrar o comprimento do balanço multiplica o momento no apoio por quatro. Uma marquise de 2,00 m gera quatro vezes o momento de uma de 1,00 m com o mesmo carregamento. Por isso o balanço é a primeira variável a controlar em qualquer projeto.
| Elemento | Apoios | Esforço dominante | Consequência de falha |
|---|---|---|---|
| Marquise | Engastada só de um lado | Momento negativo no engaste | Colapso total e imediato |
| Telheiro | Pilares nas duas pontas | Momento positivo no meio do vão | Deformação visível antes da ruína |
| Varanda sobre pilares | Perimetral | Momento distribuído | Fissuração progressiva |
| Toldo retrátil | Braços articulados na parede | Tração nos chumbadores | Arrancamento dos fixadores |
É a mais comum em prédios antigos e comércio de rua. A laje sai em balanço da estrutura, geralmente com espessura variável, mais grossa no engaste e afinando na ponta. O ponto crítico é a armadura negativa: ela fica na face superior da laje, a poucos centímetros da água. Quando o cobrimento é insuficiente ou a impermeabilização falha, a barra corrói, perde seção e a peça cai.
Estrutura de perfis de aço fixados na alvenaria estrutural, em pilares ou na própria estrutura metálica do prédio, com cobertura de telha, chapa, vidro ou policarbonato. É mais leve, permite balanços maiores com o auxílio de tirantes e pode ser desmontada e reforçada. Em fachada de galpão, é a solução padrão para proteger a doca e a entrada de pedestres.
Aqui o policarbonato é só o fechamento. A estrutura continua sendo metálica, normalmente perfis tubulares ou mão francesa. O apelo é a luz natural e o peso reduzido. Veja como especificar chapa, espessura e apoio no guia de cobertura de policarbonato.
Vidro laminado apoiado em suportes de inox ou aço, com ou sem tirantes aparentes. Exige laminado (nunca temperado simples) porque a peça precisa continuar apoiada mesmo depois de quebrar. Custo alto, manutenção frequente.
| Tipo | Balanço usual | Peso próprio aproximado | Vida útil sem manutenção | Custo relativo |
|---|---|---|---|---|
| Concreto armado | 1,00 a 2,00 m | 250 a 400 kg/m² | Baixa se a impermeabilização falhar | Médio |
| Metálica com telha | 1,50 a 3,00 m | 25 a 45 kg/m² | Alta com pintura em dia | Médio |
| Metálica com tirante | 3,00 a 6,00 m | 30 a 55 kg/m² | Alta | Médio a alto |
| Policarbonato sobre metal | 1,50 a 3,00 m | 18 a 30 kg/m² | 6 a 10 anos na chapa | Médio |
| Vidro laminado | 1,00 a 2,00 m | 60 a 90 kg/m² | Alta no vidro, média nos ferragens | Alto |
Existem três formas de segurar uma marquise. Escolher a errada é o que gera os projetos caros e as estruturas frágeis.
A mão francesa é a solução mais barata quando há altura livre disponível abaixo da marquise. O detalhamento da peça, os ângulos e a capacidade de carga estão no guia de mão francesa.
| Balanço | Solução recomendada | Observação de projeto |
|---|---|---|
| Até 1,20 m | Engaste direto | Perfil simples resolve, cuidado com o chumbador |
| 1,20 a 2,50 m | Engaste com contrapeso interno | Verificar arrancamento da laje de apoio |
| 2,50 a 4,00 m | Tirante superior ou mão francesa | Checar tração no ponto alto da parede |
| Acima de 4,00 m | Treliça ou pórtico com pilar | Balanço puro deixa de ser econômico |
Quer partir de projetos prontos em CAD em vez de desenhar do zero? São mais de 1.500 arquivos em AutoCAD, entre galpões, mezaninos, escadas, ligações e detalhes, editáveis e com lista de materiais para orçar direto.
Ver a Biblioteca →Marquise plana e sem caimento acumula água. A água estagnada aumenta a carga permanente, ataca a impermeabilização e chega na armadura. Um lâmina de 5 cm de água empoçada acrescenta 50 kg/m² sobre a peça, carga da mesma ordem do peso próprio de uma estrutura metálica leve.
O detalhe do rufo e da pingadeira vale mais que a espessura da laje na durabilidade da peça. Veja o passo a passo em rufo de telhado e o dimensionamento da saída em condutor pluvial e calha embutida.
Muita gente dimensiona só para o peso próprio e o vento. A lista real é maior.
| Carga | Valor de referência | Comentário |
|---|---|---|
| Peso próprio | Conforme o material | Inclui revestimento, impermeabilização e regularização |
| Sobrecarga de manutenção | 100 kg/m² (1,0 kN/m²) | Pessoa e ferramenta no topo durante limpeza |
| Acúmulo de água | 10 kg/m² por cm de lâmina | Só ocorre se a drenagem falhar, e ela falha |
| Vento de sucção | Variável por região e altura | Em marquise o vento tende a arrancar, não a empurrar |
| Equipamento suspenso | Peso real do item | Letreiro, luminária, ar-condicionado e antena |
O vento merece atenção especial. A pressão sob a marquise combinada com a sucção acima gera esforço para cima, invertendo o sentido do momento. Estrutura projetada só para a carga de gravidade pode ter a fixação arrancada num temporal.
Municípios com muito comércio de rua já exigem laudo periódico de marquise em edificações antigas, com inspeção visual, verificação de fissuras na face inferior e conferência da drenagem. Vale checar a legislação local antes de reformar a fachada.
Informe as medidas e o eGalpão faz o resto: desenho do pórtico, terças, contraventamento e sapatas. A lista de materiais vem junto, com o peso de cada peça, pronta para orçar.
Conhecer o eGalpão →Com engaste simples, o limite econômico fica em torno de 2,00 m em estrutura metálica e 1,50 m em concreto armado. Com tirante superior ou mão francesa, é viável chegar a 4,00 a 6,00 m. Acima disso, compensa mais colocar um pilar na ponta e transformar a peça em telheiro.
Sim. É uma estrutura em balanço sobre área de circulação de pessoas, com colapso do tipo frágil, sem deformação de aviso. O dimensionamento define seção, ancoragem e detalhamento da ligação, que é onde a peça realmente falha.
Porque a armadura que resiste ao momento fica na face superior, a mesma face que recebe água. Impermeabilização vencida, ralo entupido e cobrimento pequeno levam à corrosão da barra. A seção de aço diminui até a peça não suportar o próprio peso.
1% é o mínimo aceitável e 2% é o valor de trabalho seguro. Superfície com revestimento rugoso ou balanço longo pede o valor maior. O caimento deve ser executado na estrutura, não em camada de regularização sobre a laje pronta.
Só depois de verificar a estrutura existente. Qualquer carga concentrada na ponta do balanço tem efeito multiplicado no engaste. Um equipamento de 80 kg colocado na extremidade de um balanço de 2 m gera o mesmo momento que 160 kg no meio da peça.