Técnicas de Execução

Sapata associada: o que é, quando usar, formato e como executar

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Sapata associada: o que é, quando usar, formato e como executar

Você loca os pilares, desenha as sapatas isoladas e percebe que duas delas se atropelam. Ou o pilar do mezanino caiu a 80 cm do pilar do pórtico, ou a junta de dilatação do galpão pôs dois pilares lado a lado. Emendar as duas sapatas no improviso é o caminho mais curto para uma base que gira e recalca torto.

Direto ao ponto: sapata associada é uma base única de concreto armado que recebe dois ou mais pilares. Ela funciona quando o centro de gravidade da sapata cai em cima da resultante das cargas dos pilares. Com essa condição atendida, o solo trabalha com pressão quase uniforme. Sem ela, a sapata inclina para o lado do pilar mais carregado.

Neste guia: quando a sapata associada aparece, a escolha entre formato retangular e trapezoidal, como achar o centro de gravidade, o papel da viga de rigidez, a diferença para sapata alavancada, corrida e radier, um roteiro de pré-dimensionamento e os erros de obra.

Sapata associada em planta e corte: dois pilares, resultante sobre o CG da base, viga de rigidez, armaduras e pressão do solo
Com cargas diferentes, a base se alonga até o centro de gravidade cair sobre a resultante.

O que é sapata associada

A sapata associada, também chamada de sapata combinada, é a fundação rasa que junta pilares vizinhos numa só base. Ela fica no meio do caminho entre a sapata isolada, que atende um pilar, e a sapata corrida, que atende uma linha inteira de carga. O panorama dos tipos está em tipos de sapata de fundação; aqui o foco é só a associada, do critério de uso até a concretagem.

O comportamento dela é o de uma viga invertida. O solo empurra a base para cima em toda a área, e os pilares seguram a base para baixo em dois pontos. Por isso a sapata associada dobra ao contrário de uma viga comum, e esse detalhe muda onde vai a armadura.

Quando usar sapata associada

A regra de bolso: se as sapatas isoladas de dois pilares se sobrepõem, ou ficam tão próximas que a faixa de solo entre elas fica menor que a própria sapata, vale estudar a associada. As situações mais comuns em obra de estrutura metálica estão na tabela.

SituaçãoO que acontece com a isoladaPor que a associada resolve
Pilares muito próximosAs bases se sobrepõem em plantaUma base só ocupa o espaço com área contínua
Junta de dilatação com pilar duploDois pilares nascem a poucos centímetrosOs dois pilares dividem a mesma sapata
Pilar de mezanino perto do pilar do pórticoSapatas se atropelam e ficam em cotas diferentesBase comum na mesma cota, locação única
Um pilar muito carregado ao lado de outro leveA sapata do pesado não cabe no espaçoA base se alonga para o lado do pilar leve
Pilar perto da divisa com pilar interno próximoSapata excêntrica tende a tombarBase trapezoidal equilibra sem viga alavanca
Solo fraco com pilares a espaçamento curtoSapatas enormes quase se tocandoAssociar pares, antes de partir para radier

Se o solo firme está fundo, nenhuma sapata resolve, associada ou não. A definição começa pela sondagem SPT, que dá a tensão admissível e a cota de apoio.

Formato: retangular ou trapezoidal

A forma em planta sai de uma condição só: o centro de gravidade da base precisa coincidir com o ponto por onde passa a resultante das cargas. O resto é espaço disponível.

Retangular

É a forma padrão. Com cargas iguais, a resultante fica no meio dos pilares e o retângulo fica simétrico. Com cargas diferentes, o retângulo se estende mais para o lado do pilar pesado, até o centro dele cair na resultante. Funciona bem quando há espaço livre nas duas pontas.

Trapezoidal

Aparece quando uma das pontas está travada, por divisa ou por outra fundação, e o retângulo não consegue se deslocar o suficiente. O lado largo do trapézio fica sob o pilar mais carregado, puxando o centro de gravidade para perto dele sem aumentar o comprimento.

CritérioRetangularTrapezoidal
CargasIguais ou pouco diferentesBem diferentes
Espaço nas pontasLivre para prolongar a baseUma ponta limitada
Fôrma e armaçãoSimples, barras de mesmo comprimentoMais trabalhosa, barras de comprimento variável
Erro de locaçãoToleranteSensível, a geometria define o equilíbrio

Centro de gravidade e resultante das cargas

A conta é de estática simples. Com o pilar 1 como origem, a resultante fica a uma distância igual à carga do pilar 2 vezes a distância entre eixos, dividida pela soma das cargas. Exemplo ilustrativo: pilar de 400 kN e pilar de 600 kN com 3 m entre eixos. A resultante fica a 1,8 m do pilar mais leve, ou seja, puxada para o lado do mais pesado.

No galpão metálico existe um complicador. O pilar do pórtico chega com momento e, em algumas combinações de vento, com tração. A resultante muda de posição conforme a combinação de carga. O projetista costuma centrar a base na combinação permanente mais frequente e verificar as outras com a pressão do solo variando ao longo da base, sem deixar parte dela descolar do terreno além do que o cálculo aceita.

Viga de rigidez: quando entra e o que faz

Em sapata associada comprida, com pilares afastados, é comum ligar os dois pilares por uma viga de rigidez embutida na própria sapata. A placa da sapata trabalha no sentido curto, levando a pressão do solo até a viga. A viga trabalha no sentido longo, levando tudo até os pilares.

  • Trecho entre pilares: o solo empurra para cima e a base tende a fazer barriga para cima. A tração fica na face superior, e ali precisa de armadura longitudinal em cima.
  • Balanços além dos pilares: o comportamento é o de sapata comum, com tração embaixo.
  • Sob cada pilar: é a região de maior cortante e de punção, que o projeto verifica.

Não confunda com a viga alavanca da sapata de divisa. A viga alavanca liga duas sapatas separadas para combater o giro de uma base excêntrica. A viga de rigidez fica dentro de uma única sapata e distribui a carga ao longo dela.

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Associada, alavancada, corrida ou radier

As quatro soluções resolvem pilares que não cabem em sapata isolada. A escolha depende de quantos pilares estão envolvidos e de onde está a restrição.

SoluçãoRecebeQuando entraPonto de atenção
Sapata associadaDois ou três pilares próximosBases isoladas se sobrepõemCentro de gravidade na resultante
Sapata alavancadaPilar de divisa ligado a um internoPilar colado na divisaViga alavanca rígida
Sapata corridaParede ou linha de pilaresCarga linear contínuaLargura constante, recalque ao longo da linha
RadierToda a construçãoSolo fraco, sapatas ocupando boa parte da plantaLaje única, junta e espessura

Roteiro de pré-dimensionamento

O roteiro abaixo serve para conversar com o projetista e estimar volume de concreto no orçamento. O dimensionamento de altura e armadura sai do cálculo, e o caminho para a sapata comum está em como dimensionar sapata.

  1. Levantar as cargas de cada pilar, com as combinações que o projeto estrutural entrega, incluindo momento e tração no caso de pilar metálico.
  2. Achar a posição da resultante pela estática, a partir de um dos pilares.
  3. Estimar a área de apoio: soma das cargas mais uma margem para o peso próprio da sapata e do solo sobre ela, dividida pela tensão admissível do solo.
  4. Escolher a forma: retangular se há espaço nas pontas, trapezoidal se uma ponta está travada.
  5. Posicionar a base com o centro de gravidade em cima da resultante e conferir os limites do terreno e das fundações vizinhas.
  6. Definir a largura pela área dividida pelo comprimento, conferindo se a placa não fica fina demais para vencer o balanço lateral.
  7. Passar para o cálculo: altura, verificação de punção e cortante, armadura inferior e superior, e viga de rigidez quando houver.

Exemplo ilustrativo da área: 1.000 kN somados, 5% de margem para peso próprio e solo com tensão admissível de 200 kPa dão cerca de 5,3 m² de base. É só ordem de grandeza para o orçamento, porque o peso próprio real e a tensão do solo mudam de obra para obra.

Execução passo a passo

  1. Locação dos dois eixos a partir do mesmo gabarito, conferindo a distância entre pilares antes de escavar.
  2. Escavação até a cota de apoio prevista, com fundo limpo e sem solo solto.
  3. Lastro de concreto magro nivelado, que protege a armadura inferior e dá base para a fôrma.
  4. Armadura inferior nos dois sentidos, com espaçadores garantindo o cobrimento.
  5. Armadura superior no trecho entre pilares, apoiada em caranguejos firmes para não afundar na concretagem.
  6. Viga de rigidez e arranques dos pilares, ou gabarito dos chumbadores no caso de pilar metálico, com posição conferida em planta e nível.
  7. Concretagem contínua da base inteira, sem junta fria no meio da sapata.
  8. Cura úmida e reaterro compactado em camadas, que também entra como peso contra o arrancamento.

Em galpão, a ligação do pilar com a sapata e o colarinho, quando existe, estão em fundação de galpão metálico.

Erros comuns na sapata associada

ErroConsequênciaComo evitar
Base centrada no meio dos pilares com cargas diferentesSapata inclina para o pilar pesadoCentrar a base na resultante das cargas
Falta de armadura superior entre pilaresFissura na face de cima da sapataConferir no projeto e na armação antes de concretar
Duas sapatas isoladas emendadas no improvisoPeça sem armadura contínua, trinca na emendaProjetar como sapata única
Concretagem em duas etapasJunta fria no ponto de maior esforçoProgramar volume e bomba para concretar tudo de uma vez
Chumbador fora de posiçãoPilar metálico não encaixa, furo no improvisoGabarito rígido e conferência topográfica
Ignorar tração de vento no pilar do pórticoBase leve demais para o arrancamentoVerificar peso próprio e solo sobre a sapata
Software principal
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Perguntas frequentes

O que é sapata associada?

É uma sapata única de concreto armado que recebe dois ou mais pilares próximos. Ela é usada quando as sapatas isoladas desses pilares se sobreporiam ou não caberiam no espaço disponível. O centro de gravidade da base precisa coincidir com a resultante das cargas para o solo trabalhar com pressão uniforme.

Sapata associada e sapata combinada são a mesma coisa?

Sim. Os dois nomes descrevem a mesma solução: uma base comum para pilares vizinhos. Sapata alavancada é outra coisa, porque liga duas sapatas separadas por uma viga alavanca para equilibrar um pilar de divisa.

Quando a sapata associada deve ser trapezoidal?

Quando as cargas dos pilares são bem diferentes e uma das pontas da base não pode ser prolongada, por divisa ou por outra fundação. O lado largo do trapézio fica sob o pilar mais carregado e puxa o centro de gravidade para perto dele sem aumentar o comprimento.

Sapata associada precisa de viga de rigidez?

Depende da distância entre os pilares. Com pilares próximos, a placa mais alta costuma resolver. Com pilares afastados, a viga de rigidez dentro da sapata leva a carga no sentido longo e reduz a altura da placa. A decisão sai do cálculo estrutural.

Onde vai a armadura da sapata associada?

Embaixo, nos dois sentidos, como em toda sapata, e também em cima no trecho entre os pilares, onde a pressão do solo faz a base fletir para cima. Esquecer a armadura superior é um dos erros mais comuns e aparece como fissura na face de cima da sapata.